Atividade antioxidante e antimicrobiana das folhas e frutos de Citrus limon (L.) Burn (limão siciliano)

Artículo original

 

Atividade antioxidante e antimicrobiana das folhas e frutos de Citrus limon (L.) Burn (limão siciliano)

Actividad antioxidante y antimicrobiana de las hojas y los frutos de Citrus limon (L.) Burn (limón siciliano)

Antioxidant and antimicrobial activity of leaves and fruits of Citrus limon (L.) Burn (lemon)

 

Gustavo Oliveira Everton*
Maria Gessica Sales da Silva
Amanda Mara Teles
Adenilde Nascimento Mouchrek

 

Universidade Federal do Maranhão, Departamento de Tecnologia Química, Laboratório de Microbiologia de Alimentos e Água e Laboratório de Pesquisa e Aplicação de Óleos Essenciais do Pavilhão de Tecnologia da UFMA.

*Autor para la correspondencia. Correo electrónico: gustavooliveiraeverton@gmail.com

 

 


RESUMO

Introdução: O Citrus limon (L.) Burn (limão siciliano) é uma importante planta medicinal da família Rutaceae, com origem proveniente da região sudeste da Ásia, dispõe de inúmeros benefícios e vasta aplicação de suas propriedades, seja na cultura popular ou nos mais diversos estudos científicos.
Objetivo: determinar a atividade antimicrobiana e antioxidante das folhas, macerado das cascas e suco in natura de C. limon (L.) Burn.
Métodos: As folhas secas e frutos de limão siciliano foram coletados no povoado Limoeiro, zona rural da cidade de Codó-MA. A metodologia utilizada para atividade antimicrobiana é nomeada como Método de Difusão em Disco (MDD) e Diluição em Caldo. Para avaliação da capacidade antioxidante empregou-se o método ABTS, além da quantificação do teor de compostos fenólicos totais.
Resultados: Os resultados demonstraram que o suco in natura apresentou atividade inibitória satisfatória frente as bactérias Staphylococcus aureus e Escherichia coli testadas, quando comparado aos efeitos do macerado de cascas e extrato das folhas. Todas as partes de C. limon (L.) Burn evidenciaram capacidade antioxidante significativa por apresentarem percentuais de inibição quantificados em 91.62 % a 99.72 % e teores de fenólicos totais entre 116.76 mg e 420.20 mg EAT/g.
Conclusão: As partes utilizadas do limão siciliano demonstram atividade antimicrobiana, antioxidante e elevado teor de fenóis totais, reforçando as informações advindas da medicina popular tradicional e aquelas obtidas nos ensaios in vitro sobre as propriedades do limão. Além disso, seus múltiplos benefícios servem como referência para novas pesquisas envolvendo seu uso nas indústrias alimentícias, química ou farmacêutica, servindo como referência para novas pesquisas envolvendo seu uso nas indústrias alimentícias, química ou farmacêutica.

Palavras-chave: Citrus limon, Staphylococcus aureus, Escherichia coli , atividade antimicrobiana, atividade antioxidante.


RESUMEN

Introducción: Citrus limon (L.) Burn (limón de Sicilia) es una planta medicinal importante de la familia Rutaceae, originaria de la región del sudeste de Asia, que ofrece numerosos beneficios y amplia aplicación en la cultura popular por sus propiedades avalados por varios estudios científicos.
Objetivo: Determinar la actividad antimicrobiana y antioxidante de las hojas maceradas, de las cáscaras y del jugo fresco de C. limon (L.) Burn.
Métodos: Las hojas secas y los frutos del limón de Sicilia se recolectaron en las ciudades de Limoeiro y de Codó, MA. Para conocer la actividad antimicrobiana se utilizó el método de difusión en disco (MDD) y de dilución en caldo. Para evaluar la capacidad antioxidante se empleó el método ABTS, además se cuantificó el contenido total de compuestos fenólicos.
Resultados: Los resultados mostraron que la actividad inhibitoria el jugo fresco de la fruta contra las bacterias Staphylococcus aureus y Escherichia coli es más satisfactoria que la de las cáscaras maceradas y la del extracto de las hojas. Todas las partes de C. limon (L.) Burn. demostraron importante capacidad antioxidante de inhibición por cuantificado con porcentajes de 99,72 % y 91,62 % y con contenido de fenoles totales entre 116,76 mg y 420,20 mg EAT/g.
Conclusión: Las partes del limón comúnmente utilizadas demostraron actividad antimicrobiana y antioxidante, así como alto contenido de fenoles totales, lo que corrobora la información procedente de la medicina popular tradicional y del estudio de las propiedades del limón comprobadas in vitro. Además, sus múltiples beneficios servirán como referencia para nuevas investigaciones que implican su uso en las industrias alimentaria, química o farmacéutica.

Palabras clave: Citrus limon; Staphylococcus aureus; Escherichia coli; actividad antimicrobiana; actividad antioxidante.


ABSTRACT

Introduction: Citrus limon (L.) Burn (lemon) is an important medicinal plant from the Rutaceae family native to the southeast of Asia. This species is widely used in folk medicine for its properties, which have been substantiated in several scientific studies.
Objective: Determine the antimicrobial and antioxidant activity of macerated leaves, peels and fresh juice of C. limon (L.) Burn.
Methods: Dry leaves and fruits of C. limon (L.) Burn were collected in the cities of Limoeiro and Codó, MA. Antimicrobial activity was determined by disk diffusion and broth dilution. Antioxidant capacity was evaluated by ABTS. Quantification of the total content of phenolic compounds was also performed.
Results: Results show that the inhibitory activity of the fresh juice of the fruit against the bacteria Staphylococcus aureus and Escherichia coli is more satisfactory than that of the macerated peels and the leaf extract. All the parts of C. limon (L.) Burn displayed outstanding inhibitory antioxidant capacity, with percentages of 99.72 % and 91.62 %, and total phenolic contents lay between 116.76 mg and 420.20 mg EAT/g.
Conclusion: The parts commonly used all displayed antimicrobial and antioxidant activity, as well as high total phenolic contents, corroborating the information obtained from traditional folk medicine and the study of properties of lemon verified in vitro. Additionally, the many benefits of lemon will serve as reference for further research leading to its use in the food, chemical and pharmaceutical industries.

Key words: Citrus limon, Staphylococcus aureus, Escherichia coli, antimicrobial activity, antioxidant activity.


 

 

Recibido: 29/03/2018
Aprobado: 10/07/2018

 

 

INTRODUÇÃO

Em diversas partes do planeta o uso de plantas medicinais ainda é um método alternativo de tratamento e "cura" de doenças, sendo considerado por muitos como de custo mais baixo e fácil acessibilidade quando comparado a alguns medicamentos industrializados.1

O território brasileiro apresenta ampla diversidade na flora, com vegetações de diferentes características e muitos princípios ativos ainda desconhecidos. E com o processo evolutivo da ciência, muitas ferramentas tem permitido avaliar os benefícios, riscos e conhecimento científico embasado no uso popular de certas plantas.2

Um dos grandes interesses nos estudos envolvendo derivados de produtos naturais é a busca por novas substâncias que atendam os critérios de inibição antimicrobiana de certos micro-organismos super-resistentes,3 tendo em vista que a presença de bactérias como Escherichia coli e Staphylococcus aureus nos alimentos é uma das principais razões de sua deterioração e contaminação, o que acarreta em potenciais riscos à saúde pública.4

A busca por plantas com potenciais antioxidantes também é crescente por dispor de efeitos benéficos e ampla aplicação.5 Dentre os antioxidantes naturais, destacam-se os compostos fenólicos, tais como flavonoides, ácido ascórbico, ácidos fenólicos, antocianinas, taninos hidrolisáveis.6 No corpo humano os compostos fenólicos têm como função a captura dos radicais livres impedindo certas moléculas de ficarem soltas no organismo danificando as células e causando doenças. Nos alimentos, são capazes de prevenir ou retardar grandemente a oxidação de materiais facilmente oxidáveis, aumentando o tempo de vida útil.6

O Citrus limon (L.) Burn(limão siciliano) é uma importante planta medicinal da família Rutaceaea, tem sua origem proveniente da região sudeste da Ásia,7 possui cor amarela em seu estágio de maturação, casca grossa, superfície levemente rugosa e uma protuberância característica,8 possui atividade anticancerígena, potencial antibacteriano,9 presenças de compostos fenólicos e antioxidantes naturais.10

Todas as partes do limão C. limon (L.) Burn são utilizáveis; seja na culinária, medicina alternativa, indústria farmacêutica e alimentícia. Da casca, retira- se uma essência aromática usada em perfumaria e no preparo de licores e sabões,11 suas folhas são tradicionalmente usadas na cultura popular no preparo de chás e águas de banhos; do suco dos frutos obtém-se bebidas refrescantes, molhos com sabor acentuado, dentre outros. No nordeste brasileiro, especialmente na zona rural, utiliza-se muito o sumo do limão na limpeza de carnes e preparo de saladas.

Diante dos inúmeros benefícios que o limão siciliano dispõe, o presente trabalho tem como objetivos determinar a atividade antimicrobiana das folhas, macerado das cascas e suco in natura de C. limon (L.) Burn por meio das técnicas de difusão em ágar e diluição em caldo sobre as bactérias patogênicas E. coli e S. aureus, avaliar sua capacidade antioxidante pelo método ABTS (2, 2-azinobis-3- etil-benzotiazolina-6-ácido sulfônico), e seus teores de compostos fenólicos totais.

 

 

MÉTODOS

Material botânico

As folhas e frutos de limão siciliano C. limon (L.) Burn foram coletados no mês de junho de 2017, no povoado Limoeiro, com coordenadas 4° 21´12.1" S e 44° 03´45.1" W a 37,9 km na zona rural da cidade de Codó - MA. As folhas foram mantidas à temperatura ambiente, sem exposição à luz solar e em local seco para que ocorresse o processo de desidratação; os frutos foram armazenados a temperatura ambiente para realização do estudo. O material vegetal foi identificado pela professora Drª Ana Zélia Silva e uma amostra encontra-se depositada no Herbário Ático Seabra (UFMA) sob registro de n° 1463.

Folhas secas

Para obtenção do extrato, utilizou-se a técnica de maceração12, onde a partir da pulverização de 200g em moinho elétrico das folhas secas do limão, utilizou-se o volume de 800 mL de álcool etílico hidratado 92,8 INPM (96 °Gl) como solvente, conservando o mesmo em frasco âmbar e ao abrigo da luz por um período de 11 dias, obtendo um volume de filtrado correspondente a 390 mL. Posteriormente, recolheu-se 355 ml do extrato o qual foram submetidos à rota evaporador para evaporação do etanol.

Após secagem completa obteve-se uma massa equivalente a 4,7g. Retirou-se 3g da massa para preparo da solução mãe; por fim o extrato foi depositado em um balão volumétrico de 50 mL e aferiu-se com água destilada até completar o volume correspondente obtendo uma concentração de 60.000 µg/mL.

Macerados de cascas

Os frutos foram selecionados quanto à aparência, estagio de maturação e ausência de danos físicos, foram submetidos ao processo de sanitização com água devidamente tratada e solução de cloro livre.

Em seguida iniciou-se o processo de raspagem do pericarpo (cascas), obtendo uma massa equivalente a 62,98g. Este foi macerado com auxílio de almofariz e pistilo, obtendo 10 mL de filtrado.

Suco in natura

O suco do limão foi obtido espremendo o endocarpo dos frutos manualmente, reservando em frasco âmbar ao abrigo de luz para uso imediato nas análises.

Atividade antimicrobiana - Microrganismos testados

Foram utilizadas duas cepas microbianas provenientes da " American Type Culture Collection" (ATCC) doadas pelo Laboratório de Microbiologia do Controle de Qualidade de Alimentos e Água da Universidade Federal do Maranhão (PCQA- UFMA), E. coli (ATCC 25922), e S. aureus (ATCC 25923). A identificação das cepas foi confirmada pelo uso de ensaios bioquímicos, seguindo as recomendações do manual de microbiologia clínica.13

Atividade antimicrobiana - Padronização do inóculo

As cepas microbianas utilizadas foram repicadas em caldo de infusão de cérebro e coração (BHI) e incubadas a 35 ºC até atingirem fase exponencial de crescimento (4-6 h). Após esse período, as culturas tiveram sua densidade celular ajustada em solução salina 0,85 % estéril, de modo a se obter uma suspensão microbiana com a turbidez comparável à da solução padrão de McFarland 0,5 (1,5 x 108 UFC/mL) de acordo com as normas do Clinical and Laboratory Standards Institute.14

Atividade antimicrobiana- Método de difusão de disco (MDD)

Primeiro foram preparadas as placas com o meio de cultura Ágar Mueller Hinton (AMH), após sua solidificação, a suspensão microbiana foi distribuída na superfície do ágar e deixada em repouso à temperatura ambiente por 30 min. Logo após são preparados os discos contendo 50 µL do extrato de folhas, macerado de cascas e suco in natura de C. limon (L.) Burn. Utilizando-se pinça esterilizada, os discos foram distribuídos sobre a superfície do ágar. As placas foram incubadas em estufa bacteriológica a 35 ºC por 24 horas. Os diâmetros dos halos de inibição foram mensurados, incluindo o diâmetro do disco (6 mm). Esses ensaios foram feitos em triplicata.14

Atividade antimicrobiana- Diluição em caldo

A atividade antimicrobiana foi realizada segundo a metodologia da diluição em caldo proposta pela National Committee for Clinical Laboratory Standard.15 Inicialmente uma alíquota das amostras (extrato, suco e macerados de cascas de C. limon (L.) Burn) foram diluídas em água e transferidas para tubos de ensaio contendo caldo BHI (controle negativo), em outro tubo colocou-se caldo mais a bactéria a ser testada (controle positivo). A suspensão microbiana contendo 1,5x108 UFC/mL das cepas de E. coli e S. aureus (50 µL) foi adicionada às amostras. Foram reservados tubos para controle de esterilidade do caldo. Logo após os tubos foram incubados a 35 ºC por 24 horas. Após o período de incubação, foi verificada a atividade antimicrobiana, sendo definida como a menor concentração que visivelmente inibiu o crescimento bacteriano (ausência de turvação visível).

Para confirmar a ausência de crescimento foi realizado o plaqueamento das partes de C. limon (L.) Burn testados com ausência de turvação visível, realizada pelo método de Spread-Plate. Essa técnica consiste na semeadura de inóculo microbiano na superfície de Ágar Plate Count.

De forma asséptica, 50 µL do inóculo obtido dos tubos que não apresentarem turvação visível usados na macro diluição, foi semeado em toda a superfície do meio com o auxílio da alça de Drigalski, os ensaios foram realizados em triplicata. Após incubação a 35 °C por 24 h, foi padronizada a contagem das colônias crescidas na superfície do ágar.

Atividade antioxidante - Método ABTS

A determinação da atividade antioxidante pelo método ABTS [2,2-azinobis-(3-etilbenzotiazolina-6-sulfônico)], foi realizada conforme a metodologia sugerida por Re et al.16, com modificações. O radical ABTS• foi preparado pela reação de 5,0 ml de uma solução 3.840 μg/mL de ABTS com 88 µL da solução de persulfato de potássio 37.840 μg/mL, a mistura foi deixada em ambiente escuro, por 16 horas. Após a formação do radical esta foi diluída em etanol (1: 30 v/v aproximadamente) até se obter uma absorbância de 0,7 a 734 nm.

A partir da diluição da solução mãe, obteve-se uma nova concentração de 2000 μg/mL do extrato de folhas secas de C. limon (L.) Burn, preparou-se diluições seriadas obtendo-se concentrações de 25 a 175 μg/mL. Para o macerado de cascas e suco in natura, o procedimento foi realizado em triplicata, porém sem diluições.

Em ambiente escuro foi transferida uma alíquota de cada concentração das amostras em tubos de ensaio contendo 3,0 ml do cátion radical ABTS, homogeneizou-se em agitador de tubos e após 6 minutos realizou-se a leitura da absorbância em espectrofotômetro UV/VIS em comprimento 734 nm.

As análises foram realizadas em triplicata e a captura do radical livre foi expressa em porcentagem de inibição (%I) do cátion radical ABTS.17

Teor de fenólicos totais

A determinação espectrofotométrica dos compostos fenólicos foi realizada de acordo com a metodologia descrita por Waterhouse18, utilizando-se o reagente de Folin-Ciocalteu. A curva de calibração foi obtida fazendo-se uso de seis diluições de ácido tânico (10-120 µg/L). As mensurações das absorbâncias das amostras em função da concentração foram feitas em espectrofotômetro UV/VIS Quimis a 760 nm, em triplicata.

 

 

RESULTADOS

Na Tabela 1 são apresentados os resultados para atividade bactericida em halos de inibição médios (mm) das diferentes partes C. limon (L.) Burn testadas frente a E. coli e S. aureus.

 

Na Tabela 2 são apresentados os resultados para atividade bacteriostática em halos de inibição médios (mm) das diferentes partes C. limon (L.) Burn testadas frente a E. coli e S. aureus.

 

A equação da curva de calibração obtida através de regressão linear apresenta-se y= 0,0069x +0 ,0062 (R2= 0,9999). Onde (y) representa à absorbância medida e (x) a concentração de equivalentes de ácido tânico. Os resultados foram expressos como mg de equivalente de ácido tânico (EAT) por grama de amostra, conforme a Tabela 3.

 

Os dados expressos na tabela 3 mostram a avaliação antioxidante que foi expressa como a capacidade de sequestrar/reduzir radicais ABTS em porcentagem de inibição (%I) e a quantificação do teor de fenólicos totais feita pela metodologia Folin-Ciocalteau nas partes analisadas de C. limon (L.): suco in natura (S), extrato de folhas (EXF), macerado de cascas verdes (MC).

 

 

DISCUSSÃO

Atividade antimicrobiana

Dos ensaios realizados, todas as partes do limão siciliano utilizadas apresentaram atividade antimicrobiana. De acordo com os resultados obtidos, o suco in natura de C. limon (L.) Burn obteve o melhor resultado quanto sua ação bactericida sobre Staphylococcus aureus. Este potencial antimicrobiano advém do ácido cítrico presente na composição deste limão, com valores entre 5 a 7%, dependendo da variedade.

Resultados semelhantes foram apresentados por Oikeh et al.19 ao avaliarem a ação antimicrobiana de diferentes concentrados de sucos cítricos, onde observaram que o suco de C. limon (L.) Burn na concentração de 200 µg/mL apresentava halos de inibição para S. aureus e E. coli. Assim como Hindi & Chabuck20 que aferiram a atividade antimicrobiana de diferentes tipos e partes de limão frente diferentes bactérias e constataram que o suco de C. limon (L.) Burn possuía atividade antimicrobiana maior que os outros tipos de extratos com halos inibição para S. aureus e E. coli.

Araújo et al.21 ao realizarem o estudo antimicrobiano de sucos de frutas e hortaliças constataram que o suco C. limon (L.) Burn demonstrou maior atividade em relação aos demais sumos utilizados, apresentando halos sobre os grupos Gram positivos entre eles S. aureus, porém não houve formação de halo para bactérias Gram negativas como E. coli.

A espécie de S. aureus utilizada neste trabalho foi mais sensível ao suco in natura de C. limon (L.) Burn, pois o ácido cítrico presente no suco atua diretamente na ruptura das membranas dos patógenos, confirmando que bactérias Gram-positivas são mais sensíveis aos produtos naturais que as Gram-negativas, assim como no trabalho de Martinez & Alvarez22 onde os autores concluíram que o ácido cítrico presente no sumo do limão reduz a carga microbiana em especial sobre S. aureus e permite manter as propriedades organolépticas dos produtos hortícolas.

Santos & Santana8 comparando o efeito da temperatura de secagem das cascas de limão siciliano C. limon (L.) Burn notaram que maioria dos microrganismos não obtiveram diferenças significativas em relação aos extratos analisados, os halos de inibição ficaram com uma média em torno de 7,8 mm sobre S. aureus e 7,5 mm para E. coli, o que segundo a classificação de Cavalcanti et al.23 halos menores que 8 mm indicam resistência do micro-organismo. Os resultados são próximos aos encontrados neste estudo.

Assim Otang & Afolayan24 afirmaram a eficácia do uso de extratos das cascas e C. limon (L.) Burn na atuação antimicrobiana e antioxidante sobre uma variedade de patógenos que estão relacionados diretamente às doenças na pele, em sua pesquisa as bactérias S. aureus e E. coli, foram fracamente inibidas pelos extratos, entretanto a maioria das bactérias testadas foram suscetíveis ao uso dos mesmos, reafirmando o alto valor medicinal e antimicrobiano de C. limon sendo também uma fonte potencial para o desenvolvimento de fármacos.

Ao verificar a atividade antibacteriana in vitro de produtos naturais sobre Lactobacillus casei, Castro et al.25 observaram a não formação de halos de inibição de crescimento bacteriano para o extrato hidroalcoólico do C. limon (L.) Burn. Explica-se que esses extratos de plantas necessitam de 100 % de sua concentração para apresentar resultados apreciáveis.

O extrato das folhas secas de C. limon (L.) Burn com concentração de 60.000 µg/mL não apresentou atividade inibitória sobre os patógenos testados, em contrapartida mostrou formação de halos bacteriostáticos demonstrando que nesta concentração o mesmo não mata ou inibe certas bactérias, mas detêm seu crescimento, dificultando sua proliferação o que vem a ser de grande importância no conhecimento cientifico.

Alguns autores sugerem que na interpretação dos resultados deve-se levar em consideração que a atividade antibacteriana de um óleo essencial, suco ou extrato pode sofrer variação de acordo com a composição química, influência da região onde a planta é cultivada, solo, prática cultural, estágio de maturidade7 condições de coleta, armazenamento, secagem, condições de extração, 26 estrutura de seus constituintes, variações do método aplicado e parte da planta que foi usada.

Atividade antioxidante

Melo et al.27 definem que a capacidade antioxidante pode ser considerada forte, intermediária ou fraca, quando o percentual de sequestro do radical atinge nessa ordem, valores acima de 70 %, entre 50 e 70 % e abaixo de 50 %.

O macerado das cascas, suco in natura e extrato das folhas secas de C. limon (L.) Burn possuem capacidade antioxidante forte. Observa-se ainda que em um comparativo das partes trabalhadas, o macerado das cascas de C. limon (L.) Burn demonstraram o maior percentual de captura dos radicais ABST e um elevado teor de fenóis totais.

Alguns estudos relatam que as cascas dos Citrus apresentam compostos bioativos em comparação a polpa e suco,28 e que a liberação destes compostos pode resultar em atividades antioxidantes maiores dependendo do tipo de tratamento empregado, como no trabalho de Papoutsis et al.29, onde a aplicação do pré tratamento de micro-ondas afetou de forma significativa no aumento dos níveis de compostos fenólicos totais, TF, proantocianidinas, compostos bioativos individuais, bem como a atividade antioxidante do bagaço de limão, mas considerando que durante esse processo as medidas de tempo e temperatura devem ser criteriosa, para não ocasionar perda dos compostos e consequentemente diminuição da atividade antioxidante.

No decorrer da pesquisa de Xi et al.30 que realizaram a caracterização da composição fenólica e a capacidade antioxidante de diferentes partes de C. limon (L.) Burn, incluindo cascas, polpas e suco, seus resultados confirmaram que as cascas apresentavam o conteúdo fenólico total mais elevado e consequentemente maior capacidade antioxidante, seguido de frutas e sementes inteiras, enquanto os menores valores foram encontrados no suco.

Kumari & Handique9 avaliaram o comportamento antioxidante de sucos de C. limon (L.) Burn pelo ensaio de eliminação de radicais livres DPPH e constatou que os sucos obtidos dos frutos verdes apresentavam melhor atividade antioxidante que o suco de frutos maduros e que a maior atividade antioxidante é encontrada usando-se 100% da concentração. Kumari & Handique31 justificam que a menor atividade antioxidante de sucos de frutas maduras pode ser devido à redução de ácido ascórbico e fenólicos totais durante o processo de maturação.

Com relação às folhas de C. limon (L.) Burn a literatura não reportou referências concretas sobre a quantificação do teor de fenóis totais e atividade antioxidante presente nos extratos hidroalcoólico, mas pela análise dos resultados e pela classificação de Melo et al.27, o extrato hidroalcoólico das folhas secas de C. limon (L.) Burn apresenta-se como um forte antioxidante.

Um fator interessante a se aplicar aos estudos relacionados às propriedades de uma planta, ou partes dela no tocante a presença de maior ou menor atividade antioxidante, seria fazer uma abordagem quanto ao emprego de outros métodos, isolando e quantificando o maior número de compostos bioativos que a planta possui e avaliando o comportamento destes diante do emprego de diferentes solventes. Outro ponto importante na relação da capacidade antioxidante com a presença de compostos fenólicos é que não basta apenas determinar o teor de fenólicos totais nas amostras, o ideal nestes casos seria uma identificação individual de seus componentes, pois cada constituinte isolado apresenta uma estrutura característica de suas funções, logo uma capacidade antioxidante diferenciada.

Assim, conclui-se que as partes utilizadas do limão siciliano demonstram atividade antimicrobiana, antioxidante e elevado teor de fenóis totais, reforçando as informações advindas da medicina popular tradicional e aquelas obtidas nos ensaios in vitro sobre as propriedades do limão. Além disso, seus múltiplos benefícios servem como referência para novas pesquisas envolvendo seu uso nas indústrias alimentícias, química ou farmacêutica, servindo como referência para novas pesquisas envolvendo seu uso nas indústrias alimentícias, química ou farmacêutica.

 

 

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Conflicto de intereses

Los autores plantean que no tienen conflicto de intereses.





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