Fertilización nitrogenada sobre el crecimiento vegetativo y la acumulación de flavonoides en Bidens alba (L.) DC. (Sch. Bip).

COMUNICACIÓN BREVE

 

Adubação nitrogenada sobre o desenvolvimento vegetativo e o acúmulo de flavonoides em Bidens alba (L.) DC. (Sch. Bip)

 

Fertilización con nitrógeno, crecimiento vegetativo de Bidens alba (L.) DC. (Sch. Bip) y acumulación de flavonoides

 

Nitrogen fertilization, vegetative growth and flavonoid accumulation in Bidens alba (L.) DC. (Sch. Bip)

 

 

Eduardo Pradi Vendruscolo,I Rommel Bernardes da Costa,I Luiz Fernandes Cardoso Campos,I Andressa Tuane Santana Paz,II João Carlos Mohn Nogueira,III Marivone Moreira dos Santos,I Alexsander SeleguiniI

  I Escola de Agronomia. Universidade Federal de Goiás. Brasil.
 II Faculdade de Farmácia. Universidade Federal de Goiás. Brasil.
III Agência Goiana de assistência técnica, extensão rural e pesquisa agropecuária-EMATER-GO.

 

 


RESUMO

Introdução: Bidens alba (L.) DC. (Sch. Bip) é comumente utilizado na medicina popular. Porém, há poucas informações a respeito do cultivo para fins comerciais.
Objetivo: Obter dados referentes à relação entre a adubação nitrogenada, o desenvolvimento vegetativo e a produção de flavonoides do B. Alba.
Métodos: O material utilizado foi proveniente de sementes de B. alba coletadas a campo. O delineamento foi em blocos casualizados, com sete tratamentos (0, 50, 100, 150, 200, 250 e 300 kg N ha-1) e cinco repetições. Foram avaliadas as características de crescimento vegetativo e acúmulo de flavonoides.
Resultados: O crescimento vegetativo e o acúmulo de flavonoides foram favorecidos em dois intervalos de doses, entre 50 e 100 kg de N ha-1 e 250 e 300 kg de N ha-1.
Conclusões: Para fins comerciais, recomenda-se a utilização de 50 kg ha-1 de N de B. alba parcelados em duas aplicações de cobertura, aos 30 e aos 50 dias após o plantio.

Palavras-chave: Bidens alba (L.) DC. (Sch. Bip); cultivo; fertilização nitrogenada; expansão celular; princípios ativos.


RESUMEN

Introducción: Bidens alba (L.) DC. (Sch. Bip) se utiliza comúnmente en la medicina popular. Sin embargo, hay poca información sobre su cultivo con fines comerciales.
Objetivo: Obtener datos sobre la relación entre la fertilización con nitrógeno, el crecimiento vegetativo y la producción de flavonoides de B. alba.
Métodos: El material utilizado se obtuvo de las semillas de B. alba recolectadas en el campo. Se realizó el diseño en bloques aleatorios con siete tratamientos (0, 50, 100, 150, 200, 250 y 300 kg N ha-1) y cinco repeticiones. Se evaluaron las características del crecimiento vegetativo y la acumulación de flavonoides.
Resultados:
El crecimiento vegetativo y la acumulación de flavonoides se han visto favorecidos con dos dosis entre 50 y 100 kg N ha
- 1 y entre 250 y 300 kg N ha- 1.
Conclusiones:
Con fines comerciales se recomienda el uso de la dosis 50 kg N ha
-1 de B. alba dividida en dos aplicaciones profilácticas a los 30 y 50 d después de la siembra.

Palabras clave: Bidens alba L.; cultivo; fertilización nitrogenada; expansión celular; principios activos.


ABSTRACT

Introduction: Bidens alba (L.) DC. (Sch. Bip) is commonly used in folk medicine. However, little is known about its cultivation for commercial purposes.
Objective: Obtain data about the relationship between nitrogen fertilization, vegetative growth and flavonoid production in B. alba.
Methods: The plant material used was obtained from B. alba seeds collected from the fields. Randomized block design was applied to seven treatments (0, 50, 100, 150, 200, 250 and 300 kg N ha-1) and five replicates. Evaluation was conducted of vegetative growth characteristics and flavonoid accumulation.
Results:
Vegetative growth and flavonoid accumulation were enhanced at doses between 50 and 100 kg N ha- 1, and between 250 and 300 kg N ha- 1.
Conclusions:
For commercial purposes it is recommended to use the 50 kg N ha
-1 dose of B. alba in two prophylactic applications 30 and 50 days after planting.

Key words: Bidens alba L., cultivation, nitrogen fertilization, cell expansion; active principles.


 

 

INTRODUÇÃO

Bidens alba (L.) DC. (Sch. Bip) é uma espécie herbácea pertencente à família Asteraceae que ocorre naturalmente em países subtropicais e tropicais. De caule ereto, folhas opostas, inflorescências amarelas e frutos na forma de aquênios, esta planta pode atingir alturas de aproximadamente um metro.1

Grande importância é dada à espécie devido ao sua rusticidade e agressividade quando ocorre de forma espontânea em lavouras comerciais ou áreas abandonadas. O crescimento vigoroso e a dispersão eficaz de suas sementes a torna uma possível planta daninha. No entanto, há o interesse nas suas propriedades medicinais devido aos compostos presentes nos tecidos.2

Os relatos da utilização da B. alba como planta medicinal não são restritos ao Brasil. Países como Cuba, Bahamas, México, Equador, Peru, Panamá, Colômbia e Estados Unidos possuem relatos de utilização desta espécie visando a amenização de inúmeros desconfortos e enfermidades.3 No entanto, pouco se explora quanto a melhoria das condições de produção para a espécie, mantendo-se o extrativismo como a principal fonte de obtenção.

Quando dadas as condições ideais para o desenvolvimento de plantas comercialmente interessantes, na grande maioria dos casos, estas apresentam melhor desenvolvimento, balanço hormonal, potencial produtivo e incremento na qualidade dos órgãos explorados. Para as plantas medicinais isto nem sempre é o que ocorre, algumas espécies podem apresentar decréscimo nos teores de compostos de interesse, ou mesmo não responderem à adubação, como é o caso da espécie Achillea millefolium L.4

Pouco se sabe sobre a interferência da adubação mineral nitrogenada sobre o desenvolvimento e o acúmulo de compostos nos tecidos da espécie B. alba. Desta forma, o presente estudo objetiva obter dados referentes à relação entre a adubação nitrogenada, o desenvolvimento vegetativo e a produção de flavonoides do B. alba.

 

MÉTODOS

Condições experimentais

As atividades do estudo foram conduzidas na região de Goiânia, Goiás. O município situa-se na região central do Estado, 16°40' S, 49°15' W e altitude de 750 m. Apresenta como indicadores climáticos médios: precipitação anual de 1 575 mm e temperatura média mensal de 22,9 ºC, predomínio do clima Aw, caracterizado por clima tropical com estação chuvosa de outubro/abril e um período com precipitações inferiores a 100 mm mensais entre maio/setembro. As temperaturas são elevadas durante todo o ano, sem riscos de ocorrência de geadas.

A condução foi feita em recipientes de polietileno preto com capacidade para 3,5 litros. O solo utilizado foi classificado como Latossolo vermelho distroférrico5 e apresenta as seguintes características químicas: 0,7 % de M.O.; pH 4,6; 3,5 mg dm-3 P(Mehlich); 131,0 mg dm-3 K; 2,0 cmolc dm-3 Ca; 0,81 cmolc dm-3 Mg; 2,5 cmolc dm-3 H+Al; 0,0 cmolc dm-3 Al; 5,6 cmolc dm-3 CTC; M% igual a 0,0; V% igual a 55,7.

O delineamento utilizado foi o de blocos ao acaso com sete tratamentos, seis doses de nitrogênio mineral na forma de ureia (50, 100, 150, 200, 250 e 300 kg N ha-1) e um controle, sem aplicação de qualquer fonte nitrogenada, em cinco repetições. Cada parcela foi constituída por um recipiente contendo uma planta.

Em cada recipiente foram semeadas cinco sementes a uma profundidade de 0,5 cm. Logo após a emergência das plantas foi realizado um raleio, mantendo-se uma planta por recipiente. O manejo das demais plantas espontâneas foi feito por meio de catação manual.

A irrigação foi feita diariamente por meio de rega manual, observando-se as condições ambientais. A adubação de cobertura foi parcelada em duas épocas e realizada via fertirrigação, diluindo-se a ureia em água, aos 30 e aos 50 dias após a semeadura.


Avaliações biométricas

Avaliaram-se a altura das plantas, com a utilização de régua graduada, enquanto o diâmetro do caule foi obtido com a utilização de paquímetro digital aos 50 dias e aos 90 dias após a semeadura, no momento do corte das plantas.

Os órgãos aéreos e radiculares foram separados ao nível do solo e, após a limpeza, foram acondicionados em sacos de papel para posterior secagem em estufa de circulação forçada de ar. Após a estabilização das massas, foram mensuradas as fitomassas secas de ambos os órgãos.


Doseamento de flavonoides

O doseamento de flavonoides foi realizado via espectrofotometria.6 Para a construção da curva padrão, na qual foram utilizadas soluções de Rutina um reagente usado como padrão, na área farmacêutica e a solução de metanol (ácido acético 0,02M) em concentração 1:10. Foram retiradas alíquotas de 100, 200, 300, 400, 450, 500, 550, 600, 650 µL, que foram transferidas para tubos de ensaio, devidamente identificados e em seguida adicionando-se à solução de metanol (ácido acético 0,02M), para o volume final de 2 mL. Para a leitura das amostras utilizou-se o aparelho espectrofotômetro na absorbância de 361 nm. Experimento realizado em triplicata.

Para o doseamento de flavonoides totais nos órgãos aéreos do material vegetal, foram pesadas as amostras de 0,20 g do material, previamente moído, que foram transferidas para balões esmerilhados de 125 mL, às quais foram adicionados 50 mL da solução de metanol. Os balões foram postos em aparelho de ultrassom para devida extração dos compostos, durante um período de vinte minutos. Posteriormente, alíquotas de 2 mL das respectivas amostras foram transferidas para tubos de ensaio a fim de realizar-se a leitura da absorbância em 361 nm.


Análise estatística

Os dados médios relativos ao fator quantitativo doses de nitrogênio foram submetidos à análise de variância (5 % de probabilidade) e, posteriormente, à regressão, utilizando-se o software SISVAR.

 

RESULTADOS

Por meio da análise de regressão, observou-se que as doses de nitrogênio não resultaram em significância para as massas secas de parte aérea e de raízes e para a altura de plantas aos 50 dias após a semeadura.

Para a altura de plantas aos 90 dias após a semeadura houve significância estatística, porém obteve-se pouca variação no desenvolvimento das plantas, relacionada às doses de N. Observou-se um ponto máximo de crescimento para doses de nitrogênio próximas a 250 kg ha-1, havendo queda abrupta após esta (Fig. 1).


Os teores de flavonoides totais seguiram a mesma tendência do crescimento vegetativo (Fig. 2). Novamente, observou-se a ocorrência de um ponto máximo dos teores de flavonoides totais entre as doses de 250 e 300 kg ha-1.

No entanto, houve ocorrência de um segundo ponto de máximo entre as doses de 50 e 100 kg ha-1, que resultou em um teor de flavonoides totais próximo ao primeiro.

 

DISCUSSÃO

Os resultados referentes ao crescimento vegetativo das plantas de B. alba podem estar ligados à ampla variabilidade genética apresentada pela espécie. Christoffoleti e López-Ovejero,7 ressaltam que a variabilidade genética é uma das principais características das plantas espontâneas, permitindo que estes vegetais se adaptem às condições ambientais impostas pela ação antrópica.

Apesar da esperada relação entre altura de plantas e massa seca de parte aérea, esta não foi observada. As plantas do estudo desenvolveram-se de formas diferentes. Algumas apresentaram grandes quantidades de longos ramos laterais, enquanto outras apresentaram crescimento vertical acentuado, com ramos laterais abundantes, porém curtos. Fato que, novamente, deve estar ligado à variabilidade genética.

Não há relatos de efeitos relacionados à adubação nitrogenada em picão-preto. Todavia, para espécies da família Asteracea, Serra et al.8 observaram respostas positivas de desenvolvimento vegetativo de Calendula officinalis L. com a aplicação de doses crescentes de N, até a dose de 168 kg ha-1. No entanto, há estudos que demonstram a não resposta de espécies à aplicação de nitrogênio, como observado porDouglas Ferreira et al.9 em estudo com Ocimum basilicum L., evidenciando que esta resposta pode estar ligada a questões intrínsecas de cada espécie.

Para os teores de flavonoides totais, os resultados podem estar associados à expansão ou mesmo ao aumento da quantidade das células de armazenamento dos flavonoides. Gweyi-Onyango et al.10 observaram que, em plantas de tomateiro, o N apresenta uma quantidade significativa de ações endofíticas como regulação osmótica celular e função nutricional, além de apresentar relação com a atividade de fitormônios como a citocinina, responsável pela expansão celular e, consequentemente, pelo aumento da quantidade de solutos em seu interior.

Os dois pontos de máximo acúmulo de flavonoides (Fig. 2) indicam que há a possibilidade da utilização de doses entre 50 e 100 kg ha-1 de N para a obtenção de teores de flavonoides totais semelhantes aos obtidos com doses entre 250 e 300 kg ha-1 de N. Este resultado possui caráter positivo, ao passo que a menor utilização de adubação nitrogenada tende a baratear os custos de produção.

Em posse dos resultados, é possível fazer inferência a uma relação direta do desenvolvimento vegetativo com as quantidades de flavonoides totais produzidos pelas plantas. Por este fato, é imprescindível que novos estudos sejam desenvolvidos, a fim de aprimorar a utilização da adubação nitrogenada para a espécie B. alba, tanto no manejo da aplicação quanto na determinação das fontes nitrogenadas.

Nas condições experimentais em que o presente estudo foi conduzido, o desenvolvimento vegetativo e o acúmulo de flavonoides totais nas plantas de B. alba foram favorecidos pela utilização de adubação nitrogenada na dose de 250 kg ha-1 de N. No entanto, frente a ausência de resposta significativa quanto ao acúmulo de matéria seca, pode-se concluir que, para fins comerciais, tanto uma dose entre 50 e 100 kg ha-1 de N quanto uma dose entre 250 e 300 kg ha-1 de N podem ser utilizadas.

Para fins comerciais, recomenda-se a utilização de 50 kg ha-1 de N de B. alba parcelados em duas aplicações de cobertura, aos 30 e aos 50 dias após o plantio.


Conflicto de intereses

Los autores plantean que no tienen conflicto de intereses.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. Dimo T, Rakotonirina SV, Tan PV, Azay J, Dongo E, Cros G. Leaf methanol extract of Bidens pilosa prevents and attenuates the hypertension induced by high-fructose diet in Wistar rats. Journal of Ethnopharmacology 2002;83:183-91.

2. Santos JB, Cury JP. Picão-preto: uma planta daninha especial em solos tropicais. Planta Daninha 2011;29:1159-72.

3. Valdés HAL, Rego HPL. Bidens pilosa Linné. Rev Cubana Plant Medic 2001;6(1):28-33.

4. Lima MC, Amarante L, Mariot MP, Serpa R. Crescimento e produção de pigmentos fotossintéticos em Achillea millefolium L. cultivada sob diferentes níveis de sombreamento e doses de nitrogênio. Ciência Rural 2011;41(1):45-50.

5. Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. Sistema Brasileiro de Classificação de Solos. Brasília: Embrapa; 2013.

6. Rolim A, Maciel COM, Kaneko TM, Consiglieri VO, Salgado-Santos IMN, Velasco MVR. Validation Assay for Total Flavonoids, as Rutin Equivalents, from Trichilia catigua Adr. Juss (Meliaceae) and Ptychopetalum olacoides Bentham (Olacaceae) Commercial Extract. Journal of AOAC International 2005;88(4):1015-19.

7. Christoffoleti PJ, López-Ovejero R. Principais aspectos da resistência de plantas daninhas ao herbicida glyphosate. Planta Daninha 2003;21(3):507-15.

8. Serra AP, Marchetti ME, Vieira MC, Robaina AD, Veronesi CO, Nascimento JM, Matos F, et al. Eficiência nutricional do Nitrogênio e produção de biomassa em Calendula officinalis L. (Asteraceae) em condições de casa de vegetação. Revista Brasileira de Plantas Medicinais 2013;15(1):78-85.

9. Douglas Ferreira S, De Morais Echer M, Bulegon LG, Pastório MA, Egewarth VA, Massahiro Yassue R, et al. Influência da adubação nitrogenada e época de cultivo sobre o rendimento de folhas de manjericão (Ocimum basilicum var. verde Toscana) para fins medicinais. Revista Cubana Plantas Medicinales 2015;20(4):389-96.

10. Gweyi-Onyango JP, Neumann G, Roemheld V. Effects of different forms of nitrogen on relative growth rate and growth components of tomato (Lycopersicon esculentum Mill.). Afr J Hort Sci. 2009;2:43-55.

 

 

Recibido: 23 de marzo de 2016.
Aprobado: 20 febrero de 2017.

 

 

Eduardo Pradi Vendruscolo. Universidade Federal de Goiás. Escola de Agronomia. Goiânia, Goiás, Brasil.
Correo electrónico: agrovendruscolo@gmail.com





Copyright (c) 2019 Eduardo Pradi Vendruscolo, Luiz Fernandes Cardoso Campos, Rommel Bernardes da Costa, Andressa Tuane Santana Paz, Marivone Moreira dos Santos, Alexsander Seleguini, João Carlos Mohn Nogueira

Licencia de Creative Commons
Este obra está bajo una licencia de Creative Commons Reconocimiento-NoComercial 4.0 Internacional.