Estudo etnobotânico de plantas medicinais e indicações terapêuticas no povoado Fomento, município de Codó, Maranhão, Brasil

ARTÍCULO ORIGINAL

 

Estudo etnobotânico de plantas medicinais e indicações terapêuticas no povoado Fomento, município de Codó, Maranhão, Brasil

 

Estudio etnobotánico de plantas medicinales y sus indicaciones terapéuticas en el pueblo de Fomento, municipio de Codó, Maranhao, Brasil

 

Ethnobotanical study of medicinal plants and their therapeutic indications in the village of Fomento, municipality of Codó, Maranhao, Brazil

 

 

Oswaldo Palma Lopes Sobrinho,1 Álvaro Itaúna Schalcher Pereira,2 Erika de Kássia Pereira Cantanhede,2 Rosinete dos Santos Xavier,3 Luciana dos Santos Oliveira,2 Aldemir da Guia Schalcher Pereira,4 Crispin Humberto Garcia Cruz5

1 Programa de Pós-Graduação em Ciências Agrárias - Agronomia, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Goiano, Campus Rio Verde (IF Goiano). Rio Verde, Goiás, Brasil.
2 Departamento de Ensino, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão, Campus Codó (IFMA). Brasil.
3 Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). Amargosa, Bahia, Brasil.
4 Secretaria do Estado de Educação do Maranhão (SEDUC). São Luís, Maranhão, Brasil.
5 Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP). São José do Rio Preto, São Paulo, Brasil.

 

 


RESUMO

Introdução: Os fundamentos para estudos etnobotânicos são feitos pelos conhecimentos terapêuticos locais, que possibilitam o resgate dos saberes populares das comunidades maranhenses.
Objetivo: Realizar um estudo etnobotânico por meio de conhecimentos tradicionais de plantas medicinais comumente utilizadas para fins terapêuticos pelos moradores do povoado Fomento, município de Codó, Maranhão, Brasil.
Métodos: Foi realizada entrevistas semi-estruturadas, gravadas com a autorização prévia dos moradores, e transcritas posteriormente.
Resultados: As plantas utilizadas na medicina popular do povoado Fomento são: Schinus terebinthifolia, Aloe vera, Plectranthus barbatus, Cymbopogon citratus, Davilla rugosa, Cassia occidentalis L., Hyptis brevipes, Nasturtium Officinale, Lippia alba, Lavandula Officinalis, Himathantus drasticus, Momordica charantia L., Alpinia speciosa, Euterpe edulis e Solanum fastigiatum Willd.
Conclusões: As plantas medicinais ainda são alternativas viáveis para o tratamento de enfermidades comumente observadas pelo povoado e o estudo etnobotânico através da identificação tornou-se uma ferramenta de grande importância.

Palavras-chave: fins terapêuticos; medicina popular; saberes populares.


RESUMEN

Introducción: Los estudios etnobotánicos se basan en los conocimientos terapéuticos locales, los cuales hacen posible rescatar la sabiduría popular de las comunidades maranhenses.
Objetivo: Realizar un estudio etnobotánico basado en los conocimientos tradicionales acerca de las plantas medicinales comúnmente utilizadas con fines terapéuticos por los habitantes del pueblo de Fomento, municipio de Codó, Maranhao, Brasil.
Métodos: Se realizaron entrevistas semiestructuradas, las cuales fueron grabadas con el consentimiento de los residentes y se transcribieron posteriormente.
Resultados: Las plantas utilizadas en la medicina popular del pueblo de Fomento son: Schinus terebinthifolia, Aloe vera, Plectranthus barbatus, Cymbopogon citratus, Davilla rugosa, Cassia occidentalis L., Hyptis brevipes, Nasturtium officinale, Lippia alba, Lavandula officinalis, Himathantus drasticus, Momordica charantia L., Alpinia speciosa, Euterpe edulis y Solanum fastigiatum Willd.
Conclusiones: Las plantas medicinales todavía constituyen alternativas viables para el tratamiento de las enfermedades comúnmente observadas por el pueblo. El estudio etnobotánico por medio de la identificación se ha convertido en una herramienta muy importante.

Palabras clave: objetivos terapéuticos; medicina popular; conocimientos populares.


ABSTRACT

Introduction: Ethnobotanical studies are based on local therapeutic knowledge. This has made it possible to retrieve the popular knowledge treasured by Maranhao communities.
Objective: Conduct an ethnobotanical study based on traditional knowledge about medicinal plants commonly used for therapeutic purposes by residents of the village of Fomento, municipality of Codó, Maranhao, Brazil.
Methods: Semi-structured interviews were applied which were recorded with the prior consent of residents and eventually transcribed.
Results: The plants used as folk medicine of the village of Fomento are: Schinus terebinthifolia, Aloe vera, Plectranthus barbatus, Cymbopogon citratus, Davilla rugosa, Cassia occidentalis L. , Hyptis brevipes, Nasturtium Officinale, Lippia alba, Lavandula officinalis, Himathantus drasticus, Momordica charantia L., Alpinia speciosa, Euterpe edulis and Solanum fastigiatum Willd.
Conclusions: Medicinal plants are still a viable alternative for the treatment of diseases commonly found in the village. Ethnobotanical studies via identification have become a very important tool.

Key words: Therapeutic purposes; folk medicine; popular knowledge.


 

 

INTRODUÇÃO

O resgate dos saberes terapêuticos locais fornece contribuições para a conservação da diversidade biológica e o correto manejo de recursos naturais.¹ Dessa forma, as informações podem ser transmitidas por antepassados através de diálogos com pessoas idosas, raizeiros e donas de casa. Partindo dessa premissa, o conhecimento tradicional torna-se de grande valia para a edificação do conhecimento científico.2,4

A transmissão de conhecimentos passados de gerações para gerações contribuíra para que o homem soubesse cultivar e fazer o uso das plantas medicinais. Sendo assim, com esse conhecimento se fazem pesquisas cientificas com o objetivo de comprovar propriedades terapêuticas nas plantas medicinais e a garantia de seu acesso livre e uso seguro.5-8

As plantas medicinais dispõem de princípios ativos que são adequadas em restabelecer a homeostasia do organismo quando se trata de um cometimento de enfermidades. Nesse contexto, as potencialidades naturais destas são exploradas pelos seres humanos para servir como auxílio na satisfação de suas necessidades, principalmente aquelas que apresentam ações e efeitos terapêuticos, por muitas das vezes apresenta-se como o único recurso disponível para tratamento e/ou prevenção de doenças.6,2-10

Sabe-se que a etnobotânica é de grande valor para as populações regionais, pois é através do uso e manejo de plantas medicinais que se obtêm remédios, alimentos e matérias-primas.13 É através dela que se busca o conhecimento e o resgate do saber botânico tradicional particularmente relacionado ao uso dos recursos da flora.12

A relevância desses estudos realizados em comunidades urbanas e rurais está ligada ao resgate do saber popular, contribuindo para o registro do aprendizado informal, bem como a medicina popular.13,14 Contudo, os estudos recentes que tratam sobre plantas medicinais procuram buscar conhecimentos sobre povoados e comunidades, definições locais sobre saúde e doença, focalizando na forma com que cada morador faz uso e manipula os recursos naturais disponíveis na prevenção e/ou cura de males e enfermidades.15,16

As populações locais, em geral, possuem uma proximidade muito grande com o meio a sua volta. Isto ocorre, dentre outros motivos, pela necessidade de explorar do meio, recursos que serão utilizados para as mais variadas finalidades.17

Algumas características desejáveis das plantas medicinais são: sua eficácia, baixo risco de uso, assim como reprodutibilidade e constância de sua qualidade.18 Partindo dessa premissa, os conhecimentos em relação ao uso de plantas como medicamentos nos levam à precisão de se desenvolver métodos que facilitem a atividade de avaliar cientificamente o valor terapêutico das diversas espécies vegetais.19

Em geral, as observações sobre o uso e a eficácia de plantas medicinais contribuem de forma relevante para a divulgação das virtudes terapêuticas dos vegetais.20 Assim sendo, objetivou-se realizar um estudo etnobotânico por meio de conhecimentos tradicionais de plantas medicinais comumente utilizadas para fins terapêuticos pelos moradores do povoado Fomento, município de Codó, Maranhão, Brasil.

 

MÉTODOS

Este estudo foi realizado no povoado Fomento, localizado no município de Codó, Maranhão, situado no leste maranhense, com as coordenadas geográficas de 4º 26' 51'' Sul, 43º 52' 57'' Oeste e com altitude de 40 m. O clima da região dos cocais maranhenses, é classificado como tropical com inverno seco, segundo a classificação de Köppen. O solo da área é classificado como Neossolo Quartzarênico.21 A área apresenta uma temperatura média em torno de 27 ºC, com precipitação anual de 1 200 mm, sendo o período chuvoso concentrado nos meses de janeiro, fevereiro e março.22

O povoado tradicional selecionado para este trabalho no período de novembro de 2012 a fevereiro de 2013 deve-se pela influência no meio rural (vocação agrícola e pecuária). Além disso, no povoado conta-se com o cultivo de plantas medicinais e possui uma população nativa que ainda nos dias atuais praticam dos costumes que lhes foram herdados de seus antepassados.

Foram realizadas entrevistas semi-estruturadas, visando o estudo das plantas medicinais mais utilizadas para fins terapêuticos pelo povoado estudado, sendo estas gravadas com a autorização prévia dos moradores e transcritas posteriormente.

As coletas de plantas medicinais e o manuseio seguiram as orientações e técnicas taxonômicas usuais propostas por23 e auxílio do Herbário Virtual Reflora.

Foram realizadas também consultas na literatura para a identificação das plantas medicinais indicadas pelos moradores do povoado como terapêuticas. Assim sendo, foi utilizado o livro Plantas Medicinais no Brasil - Nativas e Exóticas, bem como os saberes populares.24

Os entrevistadores empregaram diálogos para direcionar a conversa, buscando-se responder um questionário estruturado com perguntas abertas e fechadas.25 O tempo gasto em cada entrevista variou de trinta minutos a duas horas, dependendo dos saberes populares que os entrevistados possuíam sobre as plantas medicinais e seus fins terapêuticos.

Todos os entrevistados receberam explicações sobre os objetivos e metodologia da pesquisa, com sua participação de forma livre e espontânea, sendo assegurado de que suas identidades não seriam reveladas em nenhuma das etapas da pesquisa.

A coleta de dados foi fundamentada na percepção dos moradores, tendo em vista que estes possuem notório conhecimento sobre o uso e indicações dos produtos, sendo que os mesmos indicam o modo de usos e indicações terapêuticas para saúde.

Seguiram-se técnicas de amostragem descritas,26 com o intuito de determinar o número de pessoas a serem entrevistadas para maior representação da população que vive no povoado. Dessa forma, algumas questões no roteiro sistemático adotado neste trabalho foram compreendidas por alguns questionamentos, tais como: a faixa etária, sexo, escolaridade, ocupação, uso de plantas medicinal para fins terapêuticos, que parte da planta é utilizada, como é utilizada, para que finalidade é utilizada, preferência entre as plantas medicinais ou remédios sintéticos, se substituem remédios sintéticos por plantas medicinais, fazem uso concomitante de plantas medicinais e remédios sintéticos e a procedência das plantas utilizadas.

 

RESULTADOS

As plantas são cultivadas pelos moradores, sendo responsáveis pelos abastecimentos em feiras locais do município de Codó, Maranhão. Quando se indagou os entrevistados foi possível observar uma dificuldade no entendimento da terminologia "plantas medicinais e seus fins terapêuticos", sendo, portanto, necessário familiarizar os termos "quais plantas são utilizadas como chá, como aroeira", até provocar mais outros exemplos e usos.

Constatou-se que entre os entrevistados (57 %) eram do sexo feminino e (43 %) do sexo masculino. Em relação à faixa etária houve variações entre 21 e 85 anos. Dentre estes (84,72 %) utilizavam algum tipo de planta medicinal para fins terapêuticos. Resultados que corroboram com esta pesquisa foram encontrados por27 em que numa determinada população alguns possui conhecimento sobre as plantas medicinais e outros não; para tanto, às mulheres na maioria das vezes em busca do tratamento para enfermidades de seus filhos e maridos, tornam-se depositárias do saber popular sobre a medicina popular. Sendo comentado também por.28

Em estudo na comunidade quilombola para o município de Areia-PB, foram encontradas idades variando entre 20 a 98 anos, o que se aproxima desta pesquisa.27

Dados semelhantes a esta pesquisa trabalhando com um levantamento etnobotânico de plantas medicinais em comunidade indígena no município de Baía da Traição-PB, observou-se uma maior aceitação com pessoas do sexo feminino.27

Quanto ao grau de escolaridade, cerca de (27 %) são analfabetos e a maioria (73 %) possuem Ensino fundamental incompleto.

Em relação à ocupação dos entrevistados (98 %) dos moradores afirmaram ser comerciantes e apenas duas mulheres alegaram possuir atividades extras, trabalhando como lavadeira e costureira. Dessa forma, a profissão mais citada por eles foi comerciantes, o que corresponde a (33 %). Constatou-se ainda no povoado que (43 %) possuem renda familiar no máximo de 1 salário mínimo e (32 %) uma rendar inferior e (25 %) não souberam informar.

As plantas medicinais mais citadas pelos entrevistados no povoado Fomento33-47 encontram-se na tabela com seus respectivos nomes populares, nomes científicos, uso fitoterápico, partes utilizadas e propriedades terapêuticas.

 

Todos os nomes científicos, populares, partes utilizadas, usos fitoterápicos e propriedades terapêuticas foram fornecidos com base nos saberes populares, literatura citada e no memento fitoterápico da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).28

Quando questionados se utilizam plantas medicinais os oitenta participantes do povoado Fomento (100 %) responderam que fazem uso. Quando indagados sobre o uso dessas plantas no seu cotidiano, destas sessenta e oito pessoas responderam positivamente. Nas entrevistas coletadas foi possível constatar que os integrantes do povoado fazem o uso das plantas medicinais de acordo com o senso comum e dos saberes populares passados de geração a geração.

Questionou-se pela opção de plantas medicinais para fins terapêuticos, obteve-se por 68 pessoas (86 %) a preferência pelo o uso das plantas medicinais, tendo em vista a falta de um posto de saúde no povoado em estudo.

Dos entrevistados, apenas 2 afirmaram não acreditar na cura e/ou prevenção de doenças com o uso de plantas medicinais. Dessa forma, os mesmos relataram preferência nos atendimentos em postos de saúde. Resultados que corroboram com esta pesquisa foram encontrados com índios kambiwá para o município de Ibimirim-PE, onde constataram que (87 %) dos moradores acreditam na cura com a utilização de plantas medicinais.29

 

DISCUSSÃO

Constatou-se a valorização da cultura popular no povoado Fomento, município de Codó-MA em relação aos conhecimentos sobre a medicina popular natural, bem como promover ações afirmativas que incentivem a conservação e o cultivo de áreas utilizadas para fins terapêuticos.

No Brasil o conhecimento a cerca das propriedades medicinais das plantas da flora nativa, em parte, deve-se ao contato diretamente entre os africados e indígenas durante o período de colonização350

O conhecimento sobre plantas medicinais e indicações terapêuticas ainda é restrito aos idosos. Portanto, muitas das definições básicas que sustentam à organização da religião dos orixás em termos de autoridade religiosa e hierarquia sacerdotal são dependentes dos conceitos de experiências de vida, aprendizado e saber dos idosos.31

A primeira planta selecionada foi a Aroeira brasileira (Schinus terebinthifolia) mencionada por quarenta e cinco pessoas da pesquisa (63 %). Esta planta pode ser usada como medicinal em algumas situações, tais como: em construções, como planta ornamental, na restauração florestal, em sistemas agroflorestais e em aplicações industriais, como curtumes.32

A Babosa (Aloe vera) mencionada por cinquenta e oito pessoas da pesquisa (50 %). Esta é utilizada no Brasil em cosméticos, medicamentos fitoterápicos, apresentando função cicatrizante. O registro da Aloe vera para ser comercializada como alimento ainda não foi emitido.33

Outras plantas medicinais mencionadas foram: Aroeira Brasileira referida por quarenta e sete pessoas (58 %), Babosa relatada por cinquenta e sete pessoas (70 %), Boldo por quarenta e sete pessoas (58 %), Capim limão mencionado por quarenta e duas pessoas (52,5 %), Cipó caboclo mencionado por trinta e seis pessoas (45 %), Fedegoso mencionado por trinta e duas pessoas (40 %), Hortelã do mato mencionado por trinta e uma pessoas (38,75 %), Agrião mencionado por trinta e uma pessoas (38,75 %), Erva cidreira e Alfazema que foram mencionadas por trinta pessoas que corresponde a (30 %).

A jurubeba foi mencionada por quarenta e cinco pessoas (57 %), a janauba por trinta e duas pessoas (40,15 %), o melão-de-são-caetano por cinquenta e sete pessoas (71 %), a jardineira por sessenta e seis pessoas (64 %) e juçara relatadas por vinte e cinco pessoas (25 %). A S. fastigiatum ocorre no Sul do Brasil e Uruguai como um arbusto que atinge até 1m de altura, com folhas largas e flores brancas. É invasora de pastagens ou de terrenos abandonados e conhecidos popularmente como "joá-preto" ou "jurubeba".34

A janauba pertence ao gênero Himatanthus, da família das Apocináceas. Esse gênero encontra-se distribuído nos trópicos e subtrópicos da América do Sul, com 13 espécies, compreendendo 8 variedades.35

Foram identificadas 15 espécies de plantas medicinais, com maior representatividade para babosa seguida da aroeira brasileira. As plantas medicinais citadas no povoado Fomento foram Schinus terebinthifolia, Aloe vera, Plectranthus barbatus, Cymbopogon citratus, Davilla rugosa, Cassia occidentalis L., Hyptis brevipes, Nasturtium Officinale, Lippia alba, Lavandula Officinalis, Himathantus drasticus, Momordica charantia L., Alpinia speciosa, Euterpe edulis e Solanum fastigiatum Willd.

Foi constatado que o modo de preparo dos "chás" feitos pelos moradores do povoado estava em concordância com os citados pela literatura científica. Esse conhecimento garante a conservação dos princípios ativos das espécies vegetais, pois a infusão é sugerida no preparo de chás usando partes de folhas, frutos, caules, raízes, cascas e algumas sementes, seguidos do chá fervido e maceração.

Na busca pela cura e/ou prevenção de males e enfermidades que são totalmente desconhecidas e que tornam a vida dos moradores do povoado debilitantes, as plantas medicinais tornaram-se uma alternativa viável, além de contribuir para um estudo etnobotânico e servir como auxílio para novas pesquisas. Os entrevistados nesta pesquisa mostraram possuir um vasto conhecimento sobre a flora local.

Os fatores socioeconômicos auxiliam para subsidiar suas escolhas e influenciam de forma direta e/ou indireta em maior e/ou menor grau a motivação e perpetuação nos conhecimentos diversificados e repassados sobre o uso das plantas medicinais e fins terapêuticos na busca pela qualidade de vida.

O que se observa no povoado é que os conhecimentos sobre o uso das plantas medicinais para fins terapêuticos destinam-se principalmente as pessoas idosas, pois os jovens apresentam preferência por medicamentos convencionais. Em virtude disto, a pouca valorização desta tradição dos antepassados por pessoas desta faixa etária pode acabar prejudicando o conhecimento popular em relação ao uso de plantas medicinais fazendo-se com que se perca com o tempo.

Conflito de interesses

Os autores declaram não ter conflito de interesses.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. Montelles R, Pinheiro CUB. Plantas medicinais em um Quilombo Maranhense: Uma perspectiva etnobotânica. Re. de Bi. e Ciê. da Terra 2007;7(2): 38-48.

2. Freitas AVL. Uso, manejo e conservação de plantas medicinais na comunidade São João da Várzea, Mossoró-RN. [Tese]. Mossoró: Universidade Federal Rural do Semi-Árido. 2013.

3. Botini N, Antoniazzi CA, Souza KA, Añes RB. Estudo etnobotânico das espécies Bowdichia virgilioides e Pterodon pubescens na comunidade salobra grande município de Porto Estrela, MT. Rev. Biod. 2015;14(2):19-31.

4. Silva H, Barros MS, Oliveira YR, Abreu MCA. Etnobotânica e as plantas medicinais sob a perspectiva da valorização do conhecimento tradicional e da conservação ambiental. Revista de Ciências Ambientais, 2015;9(2):67-86.

5. Battisti C, Garlet TMB, Essi l, Horbach RK, Andrade A, Badke MR. Plantas medicinais utilizadas no município de Palmeira das Missões, RS, Brasil. Rev Bras Bioc., Porto Alegre, 2013;11(3):338-48.

6. Lopes ML, Lopes RC, Fonseca RR, Santos SCL, Neves AM, Oliveira J, et al. Uso racional de Plantas Medicinais: Um Resgate Popular na Região do Vale do Assu - RN. INTESA (Pombal - PB - Brasil), 2013;7(1):12-18.

7. Carneiro FM, Silva MJP, Borges LL, Albernaz LC, Costa JDP. Tendências dos estudos com plantas medicinais no Brasil. Revista Sapiência: sociedade, saberes e práticas educacionais - UEG/Câmpus de Iporá, 2014; 3(2): 44-75.

8. Cavalcante ACP, Silva AG. Levantamento etnobotânica e utilização de plantas medicinais na comunidade Moura, Bananeiras-PB. Revista do Centro das Ciências Naturais e Exatas - UFSM, Santa Maria. 2014;14(2): 3225-3230.

9. Cavalcanti, PP. Conhecimento e uso de plantas medicinais por usuários de duas unidades básicas de saúde. Rev. Rene. 2014;15(3):383-390.

10. Ferro D. Fitoterapia: conceitos clínicos. São Paulo: Atheneu, 2006. p. 502.

11. Neto GG, Santana SR, Silva JVB. Notas etnobotânicas de espécies de Sapindaceae Jussieu. Ac. Botânica Brasílica, 2000;14(3): 327-334.

12. Andrade JKB, Andrade BAA, Azevedo SMA, Pessoa RMS, Júnior DSC. Levantamento etnobotânico de plantas medicinais no município de Poço de José de Moura - PB. Revista Verde (Mossoró - RN - Brasil), 2013;8(4):253-257.

13. Carvalho, JSB, Martins JDL, Mendonça MCS, Lima LD. Uso popular das plantas medicinais na comunidade da Várzea, Garanhuns-PE. Revista de Biologia e Ciências da Terra, 2013;13(12):58-65.

14. Sirqueira BF, Junior PAE, Lacerda GA, Damasceno EM. Estudo etnobotânico de plantas medicinais utilizadas pela população atendida no "Programa Saúde da Família" no município de Juvenília, Minas Gerais. RBPeCS. 2014;1(2):36-42.

15. Brião D, Artico LL, Líma FP, Menezes APS. Utilização de plantas medicinais em um município inserido no Bioma Pampa Brasileiro. Revista da Universidade Vale do Rio Verde, Três Corações, 2016;14(2):206-219.

16. Amorozo MCM. A perspectiva etnobotânica e a conservação de biodiversidade. 2002. Anais -Trabalho apresentado no Congresso da Sociedade Botânica de São Paulo, XIV, Rio Claro: UNESP.

17. Toledo ACO, Hirata LL, Da Cruz M, Buffon MC, Miguel MD, Miguel OG. Fitoterápicos: uma abordagem farmacotécnica. Rev. Lecta, 2003;21(1):7-13.

18. Elisabetsky E. Etnofarmacologia como ferramenta na busca de substâncias ativas. En: Simões CMO, Schenkel EP, Gosman G, Mello JCP, Mentz LA, Petrovick PR (eds). Farmacognosia: da planta ao medicamento. 3ª ed. Porto Alegre: UFSC. 2001. p. 91-104.

19. Júnior VVF, Pinto AC, Maciel MAM. Plantas Medicinais: a necessidade de estudos multidisciplinares. Quim. Nova. 2002;25(3):429-38.

20. Embrapa. Centro Nacional de Pesquisa de Solos. Sistema Brasileiro de Classificação de Solos. 2ª ed. Rio de Janeiro: Embrapa Solos, 2006.

21. LIMA AAC. Solos e aptidão edafoclimática para a cultura do cajueiro no município de Codó, Maranhão. 1998. Comunicado Técnico nº 16. Fortaleza: Embrapa. Ago. 1998 p.2. Embrapa.

22. Fidalgo O, Bononi LR. Técnica de coleta, preservação e herborização de material botânico. São Paulo, Brasil, 1989, p. 62.

23. Lorenzi H, Matos FJA. Plantas Medicinais No Brasil - Nativas e Exóticas - 2ª ed. 2008.

24. Albuquerque UP, Lucena RFP. Métodos e técnicas de pesquisa etnobotânica. Recife: NUPEEA, 2004, p. 189.

25. Muniz JA, Abreu AR. Técnicas de amostragem. 1999. Lavras: UFLA/FAEPE. 102.

26. Coelho-Ferreira M. Medicinal knowledge and plant utilization in an Amazonian coastal community of Maruda, Para State (Brazil), Journal of Ethnopharmacology, 2009, Oct 29;126(1):159-75. doi: 10.1016/j.jep.2009.07.016. Epub. 2009 Jul 24.

27. Leite IA, Marinho MGV. Levantamento etnobotânico de plantas medicinais em comunidade indígena no município de Baía da Traição-PB, Biodiversidade, 2014;13(1):82-105.

28. Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA. Memento Fitoterápico - Farmacopeia Brasileira, 1a ed. Brasília, 2016.

29. Santos ML, Araújo EM, Batista AR. Plantas medicinais usadas pelos índios Kambiwá Ibimirim - PE. Rev. Bra. de Inf. Cie. 2010;1(1):78-85.

30. Mota CS. A gente vive pra cuidar da população: estratégias de cuidado e sentidos para a saúde, doença e cura em terreiros de candomblé. Saúde soc. 2011; 20(2):325-37.

31. Silva JR, Amaral AC, Silveira CV, Rezende CM, Pinto AC. Quantitative determination by HPLC of irioids in the bark and latex of Himatanthus sucuuba. Acta Amazônica. 2007;37(1):119-22.

32. Maia GN. Caatinga: árvores e arbustos e suas utilidades. 1a. ed. 2004, São Paulo: D&Z.

33. Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA. Aloe vera. Brasília, Brasil; 2014. [capturado em abr. 2015]. Disponible en http://www.brasil.gov.br/saude/2011/11/consumo-de-alimentos-a-base-de-aloe-vera-ainda-nao-e-seguro-diz-anvisa

34. Rech RR, Rissi DR, Rodrigues A, Pierezan F, Piazer JVM, Kommers GD, et al. Intoxicação por Solanum fastigiatum (Solanaceae) em bovinos: epidemiologia, sinais clínicos e morfometria das lesões cerebelares. Pesquisa Veterinária Brasileira, Rio de Janeiro, 2006;26(3):183-189.

35. Silva JR, Amaral AC, Silveira CV, Rezende CM, Pinto AC. Quantitative determination by HPLC of irioids in the bark and latex of Himatanthus sucuuba. Acta Amazônica. 2007;37(1):119-22.

 

 

Recibido: 25 de diciembre de 2015.
Aprobado: 9 de abril de 2018.

 

 

Álvaro Itaúna Schalcher Pereira. Departamento de Ensino, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão, Campus Codó (IFMA). Brasil.
Correo electrónico: alvaro.pereira@ifma.edu.br

 

 

 





Copyright (c) 2019 Oswaldo Palma Lopes Sobrinho, Álvaro Itaúna Schalcher Pereira, Erika de Kássia Pereira Cantanhede, Rosinete dos Santos Xavier, Luciana dos Santos Oliveira, Aldemir da Guia Schalcher Pereira, Crispin Humberto Garcia Cruz

Licencia de Creative Commons
Este obra está bajo una licencia de Creative Commons Reconocimiento-NoComercial 4.0 Internacional.