Estudo etnofarmacológico comparativo na região do Araripe da Annona muricata L. (Graviola)

ARTÍCULO ORIGINAL

 

Estudo etnofarmacológico comparativo na região do Araripe da Annona muricata L. (Graviola)

 

Estudio etnofarmacológico comparativo en la región del Araripe de la Annona muricata L. (Graviola)

 

Ethnopharmacological comparative study in the region of the Araripe of Annona muricata L. (Graviola)

 

 

Elisangela Beneval Bento,I Álefe Brito Monteiro,II Izabel Cristina Santiago Lemos,II Francisco Elizaldo de Brito Junior,III Dayanne Rakelly de Oliveira,III Irwin Rose Alencar de Menezes,II Marta Regina KerntopfII

I Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Brasil.
II Universidade Regional do Cariri (URCA). Brasil.
III Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Brasil.

 

 


RESUMO

Introdução: a utilização de plantas medicinais na prevenção e na terapêutica de diversas doenças é habitual em todos os períodos históricos da civilização humana. No Brasil, das espécies de plantas identificadas, cerca de dez mil possui alguma propriedade medicinal conhecida. Na Chapada do Araripe destaca-se o uso da Annona muricata L. (Graviola), pertencente à família Annonaceae. Na medicina tradicional, as folhas, os frutos e as raízes da A. muricata são utilizadas sob a forma de chá para o tratamento de diversas doenças.
Objetivo: realizar uma investigação dos diversos usos etnofarmacológicos da espécie em três Municípios da Biorregião do Araripe, no contexto de suas comunidades tradicionais.
Métodos: aplicou-se um estudo randomizado, desenvolvido na área rural dos municípios de Crato e Santana do Cariri, no estado do Ceará, e Exu, no estado de Pernambuco. A amostra contou com 41 informantes que atribuíram valor de uso medicinal para a espécie. A análise dos dados sucedeu através do Fidelity Level (FL) e da Relative Frequency of Citation (RFC).
Resultados: os resultados da presente pesquisa relatam o uso da espécie para uma gama de enfermidades, dentre as quais, destacaram-se: doenças pulmonares, processos inflamatórios, patologias infecciosas, dor e câncer.
Conclusões: este estudo ressalta a importância do conhecimento empírico das comunidades tradicionais, pois acreditamos na relevância em investigar o potencial farmacológico de diferentes espécies, com a finalidade de melhorar o acesso aos medicamentos para aquelas populações que apresentam dificuldades na disponibilidade de recursos de saúde de alto custo.

Palavras-chave: Annona muricata Linnaeus; etnofarmacologia; fitoterapia.


RESUMEN

Introducción: el uso de plantas medicinales para la prevención y tratamiento de diversas enfermedades es común en todos los períodos históricos de la civilización humana. En Brasil, de acuerdo a las especies de plantas identificadas, cerca de diez mil ha conocida propiedad medicinal. En el Chapada del Araripe destaca el uso de Annona muricata L. (Guanábana), perteneciente a la familia Annonaceae. En la medicina tradicional, hojas, frutos y raíces de A. muricata se utilizan en forma de té para el tratamiento de enfermedades.
Objectivo: realizar una investigación de los diversos usos etnofarmacológicas de esta especie en tres municipios de la bioregión del Araripe, en el contexto de sus comunidades tradicionales.
Métodos: un estudio aleatorio fue desarrollado en las zonas rurales de los municipios de Crato y Santana do Cariri en el estado de Ceará, y Exú en el estado de Pernambuco. La muestra fue de 41 entrevistados que atribuyeron valor de uso medicinal para la especie. Se realizó el análisis de datos mediante el Fidelity Level (FL) y Relative Frequency of Citation (RFC).
Resultados: los resultados de esta investigación muestran el uso de las especies para enfermedades pulmonares, procesos inflamatorios, infecciones, dolor y cáncer.
Conclusiones: este estudio destacó la importancia del conocimiento empírico de las comunidades tradicionales, ya que se cree en la importancia de investigar el potencial farmacológico de diferentes especies a fin de mejorar el acceso a los medicamentos para las poblaciones que tienen dificultades en la disponibilidad de servicios de salud más costosos.

Palabras clave: Annona muricata Linnaeus; etnofarmacología; fitoterapia.


ABSTRACT

Introduction: the use of medicinal plants in the prevention and therapy of various diseases is typical of all historical periods of human civilization. In Brazil, among the plant species identified, nearly ten thousand has any known medicinal property. In the Araripe Plateau highlights the use of Annona muricata Linnaeus (Soursop), belonging to the Annonaceae family. In traditional medicine, leaves, fruits and roots of A. muricata are used in the form of tea for the treatment of various diseases.
Objective: to conduct an investigation of the ethnopharmacological uses of A. muricata in three municipalities of the bioregion Araripe, in the context of their traditional communities.
Methods: a randomized study was developed in rural areas of the municipalities of Crato and Santana Cariri in the state of Ceará, and Exu in the state of Pernambuco. The sample had a number of 41 informants who attributed value of medicinal use for the specie. Data analysis occurred through Fidelity Level (FL) and Relative Frequency of Citation (RFC).
Results: the results of this research reported the use of the species for various diseases, including: lung diseases, inflammatory processes infectious diseases, cancer and pain.
Conclusions: this study emphasizes the importance of empirical knowledge of traditional communities, because we believe in the relevance of investigating the pharmacological potential of different species, with the purpose of optimize access to medications for those people who have difficulties in the availability of Health Resources expensive.

Keywords: Annona muricata Linnaeus; ethnopharmacology; phytotherapy.


 

 

INTRODUÇÃO

As plantas medicinais foram descobertas pelo homem através da procura por alimentos, e desde então, foram aplicadas empiricamente para o tratamento de patologias.1

O uso de plantas medicinais na profilaxia e tratamento de diversos tipos de doenças é tradicional em todos os momentos históricos da cultura humana, sendo que mais de 13 mil espécies são reconhecidas mundialmente e consumidas como fármacos ou fonte de fármacos.2

Estima-se que 60 % das drogas antitumorais e anti-infecciosas inseridas no mercado mundial ou que se encontram na fase de triagem clínica sejam de origem natural. A fitoterapia é uma alternativa de tratamento que ganha força e aliados em todo o mundo, devido a fatores como a insatisfação com a medicina convencional, o uso abusivo ou incorreto de drogas sintéticas e pela acessibilidade da grande maioria da população.3

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), entre 65-80 % da população de países em desenvolvimento, devido à pobreza ou ao difícil acesso a medicina moderna, dependem essencialmente de plantas para os primeiros cuidados da saúde. Entretanto, poucas plantas (menos de 10 %) têm estudos científicos para a validação de sua qualidade, segurança e eficácia.4

É importante salientar uma retomada, ainda que tímida, pela valorização do saber popular a partir, inclusive, da perspectiva da Organização Mundial da Saúde (OMS) de que o fortalecimento dessas práticas populares, pela validação científica das propriedades farmacológicas das plantas, possa contribuir para a melhoria da situação de saúde em todo o mundo. Enfatize-se ainda que, há estimativas de que 80 a 85 % da população mundial emprega o conhecimento sobre as plantas na produção de seus medicamentos.5

Acrescente-se a isso que, no Brasil, mais de 350 mil espécies de plantas foram identificadas e um número não superior a dez mil possui alguma propriedade medicinal conhecida,6 o que certamente, reafirma a necessidade de investimento em pesquisas nessa área.

Segundo Blumental, Goldberg e Brinckmann, as plantas medicinais brasileiras são consideradas como altamente promissoras, mas são pouco conhecidas sob qualquer ponto de vista. No nosso mercado, a maioria dos produtos é constituído por cápsulas contendo o pó de plantas rasuradas, para os quais não existem comprovações de eficácia e segurança, e algumas vezes nem mesmo tradição de uso.7

Ainda no Brasil, especialmente na Região Nordeste, o uso de plantas medicinais e preparações caseiras assumem importância fundamental no tratamento das patologias que afetam as populações de baixa renda, tendo em vista a deficiência da assistência médica, a influência da transmissão oral dos hábitos culturais e a disponibilidade da flora.8

Corroborando com esse fato, pode-se citar o exemplo da Chapada do Araripe, localizada entre os limites dos Estados do Ceará, Pernambuco e Piauí, e que chama a atenção da comunidade científica por sua estrutura geológica, suas jazidas fossilíferas e suas diferentes formações florestais.9

Na Chapada do Araripe, raizeiros e mateiros das comunidades tradicionais relatam que fazem uso de aplicações medicinais de diferentes espécies, entre elas a Annona muricata L. (Graviola).

Trata-se de uma dicotiledônea da família Annonaceae, de hábito de crescimento ereto, flores perfeitas e hermafroditas, sendo o fruto uma baga composta, com casca apresentando espículas moles quando maduro. Popularmente, a gravioleira é conhecida como jaca de pobre, jaca do Pará, coração-de-rainha e araticum manso.10

Assim, o uso da A. muricata, na medicina tradicional, muitas vezes está relacionado ao uso de suas folhas, frutos e raízes, sob a forma de chá para tratamento de doenças inflamatórias e diuréticas, bem como por suas propriedades adstringentes e antirreumáticas.

Nesse âmbito, é interessante destacar que dados da literatura revelam que é muito mais provável encontrar atividade biológica em plantas utilizadas na medicina popular do que em plantas escolhidas ao acaso.11

Dessa maneira, tendo em vista o emprego da A. muricata na medicina popular, objetivou-se realizar uma investigação dos diversos usos etnofarmacológicos da espécie em três Municípios da Biorregião do Araripe, no contexto de suas comunidades tradicionais, pois se acredita que relatos empíricos possam orientar novos estudos das atividades farmacológicas e fitoquímicas da A. muricata, visando à obtenção de resultados positivos e de conhecimentos inéditos em relação ao estudo farmacológico da referida espécie.

 

MÉTODOS

Empregou-se um estudo randomizado, desenvolvido na área rural dos municípios de Crato e Santana do Cariri, no estado do Ceará (CE), e Exu, no Estado de Pernambuco (PE). Foram utilizados como critérios de inclusão residentes das comunidades rurais consideradas, na faixa etária compreendida entre 21 e 90 anos de idade, de ambos os sexos. Como critério de exclusão da amostra adotou-se o critério: informantes que desconheciam o uso da A. muricata (Annonaceae) para fins medicinais.

Desse modo, a amostra esteve representada por 41 informantes que atribuíram valor de uso medicinal para a espécie. Chegou-se a esse número a partir da técnica de Snowball, onde um informante inicial – geralmente o líder da comunidade – indica demais informantes em potencial. Esse método não estabelece cálculos para amostragem, pois se dá de modo aleatório.

O período de estudo compreendeu dois meses, junho e julho de 2009, no qual foram realizadas entrevistas semi-estruturadas com os informantes. Para fins de composição de amostra foi empregada a técnica de amostragem por saturação de dados.12

A análise dos dados ocorreu através da estatística descritiva (frequência simples e percentual), abordando-se o uso medicinal das espécies, modo de preparo e administração, partes utilizadas da espécie, a duração do tratamento e a frequência das doses e restrições ao uso.13

Foi ainda empregado o Fidelity Level (FL) – Nível de fidelidade, proposto por Friedman,13 conforme a fórmula: FL= Ip/Iu x 100 %, onde: Ip= número de informantes que sugerem o uso de uma determinada espécie para uma proposta principal; Iu= número total de informantes que citaram a espécie para qualquer finalidade.

Além disso, adotou-se a Relative Frequency of Citation (RFC) - Frequência relativa de citação, obtida a partir da razão FC/N, onde FC representa o número de informantes que mencionaram o uso da espécie e N, o número total de informantes do estudo.14

Para a realização de estudos químicos e farmacológicos futuros (dados não mostrados) foram coletadas folhas da A. muricata (Graviola), assim como para o processo de herborização, no horto de plantas naturais da Universidade Regional do Cariri - URCA. A herborização da A. muricata resultou na exsicata número 4417 que foi depositado no Herbário Caririense Dárdano de Andrade Lima– HCDAL da Universidade Regional do Cariri (URCA), Crato, Ceará, Brasil.

Dessa forma, o estudo esteve em conformidade com as normas e diretrizes bioéticas vigentes para ensaios envolvendo seres vivos: humanos (Resolução Nº 196/1996 e 301/2000 do Conselho Nacional de Saúde – CNS), (BRASIL, 2006, 2008). Este projeto foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Medicina de Juazeiro do Norte - FMJ e recebeu parecer favorável.

 

RESULTADOS

O perfil dos informantes (n = 41 – embora tenham sido indicados 43 informantes pelas populações das comunidades consideradas, 2 sujeitos não apresentaram disponibilidade em contribuir com a coleta de dados), que utilizam a espécie A. muricata (Graviola), conforme demonstrado na tabela 1, retrata prevalência geográfica, 23 (56,00 %) entrevistados para o Município de Crato – CE, sendo 19 (46,34 %) na faixa etária de 40 a 58 anos, 11 (26,82 %) com residência na área de 50 a 59 anos, 25 (61,00 %) do sexo feminino, 30 (73,17 %) agricultores e 27 (65,85 %) informaram não exercer atividade laboral com plantas medicinais.

Apresenta-se na tabela 2 o nível de fidelidade identificado para a espécie A. muricata (Graviola) quanto ao uso medicinal nos seguintes municípios estudados.

Observa-se que entre as indicações medicinais mais relatadas estão o câncer e as afecções respiratórias (gripe) presentes nos relatos dos entrevistados das três localidades apresentando para o município de Crato - CE, nível de fidelidade de 10,0 % e 30,0 %, ao mesmo tempo.

Para o município de Santana do Cariri–CE este foi 6,25 % e 31,25 %. Para a localidade de Exu-PE, o mesmo foi de 60,0 % e 80,0 %. É importante mencionar o uso para processos inflamatórios em 15,0 % e 6,25 % para Crato-CE e Santana do Cariri-CE. O uso para dor e reumatismo foi citado em Crato-CE, apresentando nível de fidelidade de 20,0 % e 15,0 %.

Quanto as partes da A. muricata mais utilizadas para fins medicinais, foram relatados pelos informantes, as folhas (37 indicações) e frutos (4 indicações), com grande prevalência do uso das folhas.

O modo de preparo medicinal para a espécie A. muricata também foi objeto de investigação; observou-se que o decocto com água representa o modo mais prevalente, a qual foi indicada 40 informantes (97,56 %), e apenas um faz uso do decocto com mel (2,44 %). Os modos de aplicação mais amplamente empregados pela comunidade foram: a ingestão oral e o banho, sendo relatado um percentual de 97,56 % (40 informantes) e 2,44 % (01 informante).

A relação entre a indicação medicinal, a duração do tratamento e a frequência da dose empregada no uso da espécie, são aspectos importantes. Pois para cada afecção referida, há uma variação na duração da terapia e frequência da dose. No entanto, com relação ao tempo de tratamento empregado, pode-se verificar que este variou desde indeterminado até remissão dos sintomas. E no que diz respeito à frequência da dose, esta esteve situada entre 2-3 vezes/dia (tabela 3).

Os dados etnofarmacológicos sobre a espécie estudada foram complementados com a investigação de possíveis restrições ao seu uso significando que a totalidade, ou seja, 100 % não possuem restrição para sua utilização.

A investigação etnofarmacológica da A. muricata (Graviola) na Biorregião da Chapada do Araripe, na zona rural dos Municípios de Crato-CE, Exu-PE, Santana do Cariri-CE, mostrou que os maiores níveis de fidelidade indicam o uso medicinal da planta para o tratamento de doenças do trato respiratório, seguidos do uso para inflamação em geral, câncer e dores.

A frequência relativa de citação – RFC de A. muricata, foi de 0,56 para o Município do Crato-CE, 0,32 em Santana do Cariri-CE e 0,12 em Exu-PE, com RFC total de 1,00. Evidencia-se, portanto que o maior RFC determinado foi para o município de Crato-CE, localidade esta que deteve o maior número de informantes no estudo.

 

DISCUSSÕES

Dados da literatura confirmam o uso da indicação das folhas da A. muricata (Graviola).15 Muitos compostos bioativos e fitoquímicos são encontrados na graviola, estudos têm mostrado ação hipotensiva, antiespasmódica, vasodilatadora, relaxante do músculo estomacal e atividade citotóxica contra células cancerígenas a partir dos extratos das folhas e troncos.16

Pesquisas revelam ainda que a graviola possui uma grande concentração de compostos, entre eles os compostos fenólicos, incluindo taninos e flavonóides que têm seus usos terapêuticos como agentes antiinflamatórios, antifúngicos, antioxidantes e ainda, propriedades cicatrizantes.17

Em recente levantamento etnofarmacológico foi frisado o uso da referida espécie para tratar uma gama de quadros patológicos, dentre eles: infecções respiratórias e doenças do sistema circulatório, corroborando com o que foi observado no presente estudo.18

Contudo, não se observaram indicações para “doenças da próstata” e “reumatismo”, o que poderia indicar um novo campo de pesquisa para estudos etnofarmacológicos e de bioprospecção envolvendo a espécie A. muricata.18

Evidências científicas demonstram o uso da graviola para fins nutricionais e terapêuticos, podendo ser utilizada em sua totalidade, as folhas, as flores e os brotos, pois as pesquisas indicam que a graviola possui um novo grupo de fitoquímicos denominados acetogeninas anonáceas que atuam na depleção dos níveis de adenosina trifosfato (ATP) ao inibir o complexo I na cadeia de transporte de elétrons nas mitocôndrias, e inibindo a nicotinamida-adenina-dinucleotídio (NADH) oxidase de membranas plasmáticas principalmente de células tumorais.16

Os taninos teriam importante papel como antiinflamatório e por isso o uso no tratamento de ferimentos, já os flavonóides participariam da ativação de enzimas nos processos antiinflamatórios.19

A graviola pode ser utilizada sob a forma in natura, sob a forma de chás preparados como cataplasmas que são sobrepostos diretamente nas afecções cutâneas e também em cápsulas contendo os princípios nutricionais desta espécie.15

Os taninos promovem a cicatrização de feridas por ação antioxidante, atuando como sequestradores de radicais de oxigênio, favorecendo o processo de fibroplastia, a reorganização do leito capilar, a proliferação de queratinócitos e a diferenciação celular.20,21

Investigações etnofarmacológicas de espécies da Biorregião do Araripe, no Nordeste Brasileiro, representam a possibilidade de subsídios para a realização de estudos promissores por pesquisadores regionais, sobre as propriedades bioativas de plantas largamente empregadas pelas comunidades locais como recursos terapêuticos.

Este estudo ressalta a importância do conhecimento empírico das comunidades da Biorregião do Araripe, bem como a necessidade da preservação cultural e biológica desse patrimônio local, com vistas a contribuir para o uso sustentável desta biodiversidade.

O conhecimento etnofarmacológico sobre a espécie A. muricata é relevante e promissor para subsidiar pesquisas com vistas a explorar o potencial biológico desta planta, como modo de melhorar o acesso a medicamentos por grupos populacionais que possuem dificuldade na disponibilidade de serviços de saúde de maior custo.


Apoio Financeiro

Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FUNCAP).

Bento EB procedeu à concepção e ao desenvolvimento da pesquisa. Monteiro AB e Lemos ICS contribuíram com a redação do artigo. Brito Junior FE e Oliveira DR participaram no processo de coleta de dados, análise e interpretação dos dados. Menezes IRA contribuiu com a revisão crítica do artigo. Kerntopf MR realizou a redação final do artigo.

 

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Recibido: 24 de noviembre de 2014.
Aprobado: 22 de agosto de 2015.

 

 

Marta Regina Kerntopf. Universidade Regional do Cariri (URCA)/Programa de Pós-Graduação em Bioprospecção Molecular (PPBM). Brasil.
Correo electrónico: martareginakerntopfm@outlook.com

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